quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Ingresso de Engenheiros Recém-formados no Mercado de Trabalho Brasileiro

Esta pesquisa foi realizada no LinkedIn em Junho/Julho de 2013 com o objetivo de analisar o mercado de trabalho e o perfil de engenheiros recém-formados de todo Brasil em sua busca pelo primeiro emprego.

A pesquisa on-line obteve 500 respostas entre engenheiros e estudantes de engenharia, sendo 209 engenheiros com ao menos uma experiência de trabalho após formado.

Os tópicos a seguir sintetizam os resultados analisados em toda a pesquisa. Para visualizar a análises gráfica de todas as respostas acesse a aba Estatísticas. Outras análises por perfil serão divulgadas nos próximos dias.

VISÃO GERAL

Falta de engenheiros faz com que profissão esteja em alta no Brasil: Um engenheiro recém-formado pode ganhar até R$ 5 mil mais benefícios.” foi notícia de Março de 2013 no Jornal Hoje da Globo.

Brasil tem déficit de 40 mil engenheiros: A escassez de profissionais para trabalhar em campo com infraestrutura melhora propostas salariais, mas prejudica a produção tecnológica do país e reduz a quantidade de mestres e doutores” (Março de 2012). “Crescimento do país força demanda por engenheiros: Previsão de aquecimento econômico esbarra em gargalos na formação de novos profissionais” (Março de 2011). Essas foram notícias na Gazeta do Povo nos últimos anos.

Já é fato que essas matérias não condizem com a realidade de muitos engenheiros recém-formados. Ao mesmo tempo em que surgem essas notícias, tem sido observado muitos engenheiros alertando da dificuldade de se conseguir o primeiro emprego, em especial devido à falta de experiência e exigências do mercado. Além disso, poucas são as vagas que oferecem uma oportunidade para o recém-formado iniciar sua carreira oferecendo ao mínimo o salário piso do Engenheiro.

De acordo com o CREA, o piso salarial para o profissional de Engenharia é de 8,5 salários mínimos com atuação de 8 horas diárias. Isso hoje representa, de acordo com o salário mínimo nacional de R$ 678,00, mais de 5,7 mil reais. Entretanto, essa pesquisa realizada no LinkedIn revelou que apenas 31,3% dos Engenheiros recém-formados desde 2009 tiveram salários de 4 mil reais ou mais em seu primeiro emprego (considerando a variação do salário mínimo desde 2009). Apenas 31% atuam como Engenheiro Júnior em seu primeiro emprego, os demais atuam como analistas, técnicos, auxiliares ou outros cargos em que não é necessário o pagamento do piso de Engenheiro. Então onde está a valorização citada pela mídia?

A pesquisa também apresenta que apenas 13,6% dos engenheiros conseguiram emprego antes mesmo de se formar, enquanto isso 35,6% levou mais de seis meses procurando pela primeira oportunidade (ou ainda estão procurando).

A maneira como conseguiram o primeiro emprego também é interessante, 28,2% dos engenheiros conquistaram esta etapa por indicação e 28,7% foram contratados do estágio ou já eram contratados na empresa durante a graduação. Nos demais casos há conquista da vaga por sites pagos, sites gratuitos, envio direto de currículo para empresa, entre outros, representando ainda assim uma minoria.

Muitos dos engenheiros ainda citaram em informações adicionais que devido à falta de oportunidades resolveram iniciar uma pós-graduação com o objetivo de se capacitar. No entanto, para a maioria deles, as barreiras continuam as mesmas pois o que o mercado exige é experiência.

PRECONCEITO

A pesquisa revela um grande preconceito com relação ás faculdades particulares. Para os graduados em instituições públicas 40,2% recebem 4 mil reais ou mais em seu primeiro emprego, contra apenas 22,4% para os formados em faculdade privada. Os perfis são parecidos, mas as oportunidades são diferentes: 46,5% dos engenheiros das faculdades particulares nunca realizaram nenhuma atividade extracurricular durante a graduação enquanto que apenas 24,5% dos engenheiros da faculdade pública estão neste perfil.

O mesmo vale para o nível de inglês, apenas 33,6% em faculdades privadas falam inglês avançado ou fluente, contra 61,5% nas faculdades públicas. Isto pode gerar resultados como os observados nos candidatos aprovados em programas de trainee: 61% são de faculdades públicas, concordando com o estudo divulgado pela Exame.com sobre “O que os finalistas de programas de trainee têm em comum”.

Outros estudos também apontam esta preferência para os formados em engenharia de uma maneira geral, como a notícia da UOL em Faculdade pública ou privada? Veja como é visto cada profissional: “… existe uma preferência por estudantes de universidades públicas, por conta da metodologia de ensino, que muitas empresas entendem ser mais exigente (…) as multinacionais, especialmente em áreas como engenharia, acabam absorvendo mais profissionais vindos de universidades mantidas pelo governo”.

Em contrapartida, ainda é valido o item citado na mesma matéria da UOL quanto a comparação entre um candidato graduado em faculdade privada com experiência e um estudante de faculdade pública sem experiência, o candidato da escola privada ainda pode levar vantagem. “A experiência é muito valorizada nas organizações”, isto é visível pela grande quantidade de vagas que exigem anos de experiência como pré-requisito, limitando a busca para aqueles que estudaram em públicas (em sua maioria em período integral).

Já com relação as mulheres recém-formadas, a pesquisa não revelou grandes dificuldadesEstudos sobre a desigualdades de gênero apontam que as mulheres estudam mais e mesmo assim recebem menores salários, no entanto a pesquisa não mostrou este problema para as recém-formadas em engenharia. De acordo com as respostas 39% das mulheres recebem salário igual ou superior a 4 mil reais, e para os homens esta porcentagem é bem menor: 27,8%.

Porém, ao comparar as capacitações, pode-se observar que as mulheres estão na frente, talvez justificando a diferença salarial. Elas fazem mais atividades extracurriculares (74,4% das mulheres e apenas 58,8% dos homens), têm mais vivência no exterior (29,5% no caso delas, e 24,2% para eles), melhor nível de inglês (49,2% falam fluentemente ou em nível avançado e para o mesmo caso 44% dos homens) e praticam mais atividades voluntárias (59,5% contra 45,6% dos homens). Apenas perdem para os homens na realização de cursos técnicos (somente 37,2% delas realizaram qualquer tipo de curso técnico, enquanto entre eles são 54,6%). Este fato confirma que as mulheres são mais ativas dentro da engenharia e ao menos em nível de recém-formadas não estão colocadas em vagas com salários mais baixos.

QUEM LEVA MAIS VANTAGEM

Inglês fluente, vivência no exterior, meses de estágio, curso técnico…. Este é um perfil que ajuda muito para quem não tem experiência, mas muitas vezes não é suficiente. A pesquisa aponta que 28,2% dos empregados conseguiram emprego por indicação, 19,1% foram contratados do estágio e 9,6% já eram contratados na empresa durante a graduação. Este perfil totaliza mais da metade dos casos de engenheiros recém-formados empregados. Para muitos esta realidade não é possível pela falta de contatos (mas nunca é tarde) e por não ter a oportunidade de contratação no estágio, portanto a luta é muito mais longa.

Uma conclusão para os estudantes: vale a pena se dedicar e conseguir um bom estágio, mesmo que isso leve tempo e atrase a graduação. É claro que a contratação do estagiário depende do momento que a empresa se apresenta, se existem vagas e se o estagiário se enquadra nas vagas existentes, mas algumas empresas tem maior histórico de efetivação do que outras, portanto focar na busca pode ajudar. E nunca deixar de lado o investimento em um grande e rico networking, dentro do estágio, da faculdade e até mesmo na vida pessoal. Cada contato pode fazer toda diferença.

Para conseguir um bom estágio o currículo acadêmico será válido, visto que na maioria das vezes o candidato ainda não possui experiência profissional (exceto o caso de vagas de estágio que já vêm exigindo experiência também). Portanto, investir em atividades extracurriculares pode ser crucial, além de um bom preparo para todas as exaustivas fases do processo seletivo.

Mas após este período, se o candidato já estagiou e não foi contratado, também não possui contatos para uma indicação, então pode ser o momento de ampliar sua busca. Candidatos que conseguiram emprego com os métodos “tradicionais” (entrevistas sem indicação), enviaram currículo para mais de 50 empresas. Mas vale lembrar que o salário alcançado ainda assim está bem abaixo do piso de engenharia. Isto revela o porquê de 22,6%dos candidatos já recusaram propostas de emprego devido ao baixo salário.

Considerando todos os perfis que responderam a pesquisa, 30% recebem ou receberam em seu emprego salário superior ou igual a 4 mil reais, apenas 3,5% mais que 6 mil. Estes números revelam bem a realidade do mercado brasileiro: ter um piso salarial definido pelo CREA não significa que o engenheiro vai se formar e receber este valor.

CURSOS COM MELHORES SALÁRIOS

100 dos engenheiros desta pesquisa são formados ou estão cursando engenharia química. As respostas revelaram que é um dos cursos com as melhores condições de salário: 48,3% recebem mais de 4 mil reais em seu primeiro emprego, contra 35,6% no curso de engenharia mecânica, 24,1% para elétrica e 21,4% em engenharia de produção. No entanto, são poucos resultados por curso para se atingir uma conclusão consistente. Mas a dificuldade é clara: para todos os cursos citados cerca de 60% dos candidatos procuraram pelo primeiro emprego por mais de três meses.

Nos próximos dias os gráficos de cada perfil analisado serão postados na aba “Estatísticas” para melhor visualização.

CONCLUSÃO

Com tantas exigências do mercado de trabalho e pré-requisitos, ainda permanece algumas perguntas clássicas: Se as empresas não derem oportunidades aos jovens recém-formados, como eles irão adquirir experiências profissionais esperadas? O que pode ser feito para contornar esta situação?

Estes tópicos podemos e devemos continuar em discussão. Agora é possível ter certeza das dificuldades e observar os fatores que ajudam a elevar as chances do candidato, mas sabe-se que ainda assim um bom emprego não é garantido. A solução encontrada pela maioria dos candidatos é iniciar a carreira com salários e cargos inferiores ao de engenheiros, com a esperança de conseguir um nova e melhor posição no futuro.

Geração do diploma' lota faculdades, mas decepciona empresários

Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.

Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.

“Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.

"Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas", diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. "Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto."

Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.

É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.

Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.

"Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem", explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.
Causas

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a "geração do diploma".

A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.

Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.

"Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim", diz Pastore.

Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.

“São mais uma extensão do ensino fundamental", diz McCowan. "E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade."

Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.

Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.

De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos - de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. "E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda", prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.

Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.

"Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos", diz ela. "E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros."
Postura e experiência

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.

“Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade”, diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.

“Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor.”

As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.

Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.

"Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra", diz Cuellar.

Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.

"Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado", acredita o consultor.
'Tradição baicharelesca'

Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a “geração do diploma” estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.

"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários."
Gabriel Rico

De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.

“O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes”, diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.

Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: “Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing”, ele exemplifica. “Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas.”

Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.

“É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários”, diz o consultor.

Rafael Lucchesi concorda. "Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).

Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil - mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.

“Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área”, acredita.

Fonte: BBC

domingo, 13 de outubro de 2013

Consultoria indica os 7 profissionais mais procurados pelas empresas brasileiras

Um levantamento da empresa de recrutamento Page Personnel indicou quais são os sete profissionais mais desejados pelas empresas brasileiras.

Segundo a recrutadora, as companhias buscam profissionais estratégicos, que tragam resultado imediato, tenham boa rede de contatos e total domínio do cargo.

"As companhias sonham com esse tipo de profissional porque hoje ele está em falta. É o tipo de pessoa que as empresas precisam para chegar e trazer resultado imediato, cuidar diretamente do dia a dia dos negócios, não ficar muito tempo em treinamento, enfim, aquele executivo que põe a engrenagem pra funcionar", explica Roberto Picino, diretor da Page Personnel.

Veja os sete cargos mais procurados:

EXECUTIVO DE VENDAS HUNTER SÊNIOR

Esse profissional precisa ter conhecimento do segmento e boa relação com as empresas para gerar bons negócios.

No caso de vendas técnicas, pede-se formação técnica relacionada com o segmento de atuação. Em mercados menos técnicos, o curso de formação é aberto.

O salário médio é R$ 7.000.

ANALISTA DE PRECIFICAÇÃO (MERCADO DE BENS DE CONSUMO)

O funcionário deve ser analítico e ter familiaridade com números e criação de modelos econômicos. Ele deve saber precificar produtos com ferramentas de apoio (como softwares que as empresas compram), e manualmente (usando Access e Excel).

A formação requisitada é de graduação em economia, administração, engenharia ou estatística.

O salário médio é de R$ 5.500.

ANALISTA DE CUSTOS

Espera-se que o profissional seja experiente e analítico, com conhecimentos em diversos formatos de apuração de custos. Também deve ser proativo e ter bom relacionamento interpessoal.

A formação requisitada é a graduação em economia, administração, engenharia ou ciências contábeis.

O salário médio é de R$ 5.000.

COORDENADOR DE UNIVERSIDADE CORPORATIVA

Esse profissional deve ter sólida experiência em treinamento, conhecimento das ferramentas de avaliação de desempenho, e visão de negócios.

O candidato pode ser graduado em em psicologia, administração de empresas ou recursos humanos.

O salário médio é de R$ 7.000.

ESPECIALISTA DE PROJETOS

Espera-se alguém multitarefas, com habilidade para lidar com prazos, números, pessoas, cálculos técnicos, processos, metodologia, qualidade etc.

O profissional ideal tem formação em engenharia, e às vezes alguma passagem por alguma consultoria.

Também pede-se domínio de ferramentas como MSproject e Excel.

O salário médio é de R$ 7.500.

ANALISTA SÊNIOR / ESPECIALISTA DE "SUPPLY CHAIN" (CADEIA DE FORNECEDORES)

É preciso perfil estratégico e proativo, além de habilidade em integrar, analisar, planejar e viabilizar soluções e melhorias integradas na cadeia.

Também espera-se conhecimento e passagem por pelo menos três áreas que compõem a gerência de "supply chain". O inglês deve ser fluente.

A formação requisitada é a graduado em administração, engenharia ou áreas correlatas. Também pede-se MBA ou cursos específicos nas áreas de logística e "supply chain".

O salário médio é de R$ 7.000.

ARQUITETO DE SISTEMAS

O profissional deve com sólida experiência em arquitetura de sistemas e, em paralelo, conhecer a lógica de programação, banco de dados, metodologias e ter capacidade de gerir projetos.

Os candidatos devem ser graduados em faculdades de primeira linha no segmento de tecnologia da informação. Inglês fluente é necessário.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Petrobras terá que investir R$ 1 bi a mais no campo Marlim Sul, decide ANP

A Petrobras terá que ampliar seus investimentos em mais de R$ 1 bilhão em seu maior campo produtor, o Marlim Sul, diante de novas exigências da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A estatal foi uma das nove empresas que depositaram garantias financeiras de

R$ 156 milhões para fazer lances no leilão do campo de Libra, na bacia de Santos, que será vendido no dia 21.

A Petrobras já tem garantida participação de 30% no consórcio vencedor do leilão, segundo a lei que instituiu o regime de partilha no país.

O depósito indica que a estatal quer aumentar essa fatia, apurou a Folha.

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura Adriano Pires, a tendência é que a Petrobras fique com entre 50% e 60% do campo de Libra, para sustentar o discurso do governo "de que o petróleo ainda é nosso".

A tendência é que a Petrobras feche consórcio com empresas chinesas. A dúvida é se irá com Cnooc, CNPC, Repsol/Sinopec (consórcio que já atua no Brasil) ou com as três. Com o caixa apertado, a estatal brasileira teria sua parte coberta pelas capitalizadas empresas chinesas, e pagaria em petróleo.

"Dessa maneira o governo consegue o caixa que precisa para fechar o ano e ainda rebate as acusações de privatizar o pré-sal", afirma Pires.

Onze empresas já haviam pago a taxa de participação no leilão, de R$ 2 milhões, porém apenas nove apresentaram garantias anteontem, último passo antes do leilão.

Segundo o diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo) Hélder Queiroz, a ausência do depósito por parte de duas empresas não quer dizer que elas desistiram da disputa. Ele espera a formação de dois a três consórcios -já o governo trabalha com uma margem de um a quatro.

Queiroz afirmou que as empresas que não depositaram garantias foram classificadas como operadoras classe B, que não possuem experiência em águas profundas.

Estão nessa categoria a portuguesa Petrogal, a hispano-chinesa Repsol/Sinopec, a colombiana Ecopetrol e a japonesa Mitsui.

O consórcio que vencer o leilão terá que depositar na conta do governo em novembro R$ 15 bilhões, referentes ao bônus de assinatura. Esses recursos ajudariam o governo a fechar o ano dentro da meta do superavit. Petroleiros e outros movimentos sindicais prometem uma batalha jurídica contra o leilão de Libra, cuja venda é considerada por eles uma traição por parte da
presidente Dilma Rousseff.

Na campanha de 2010, ela prometeu não privatizar o pré-sal, argumentam, e agora cobram que cancele o leilão.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Deloitte inaugura Centro de Excelência de Petróleo e Gás no Rio de Janeiro Consultoria internacional escolhe a capital fluminense como a primeira cidade

Deloitte inaugura Centro de Excelência de Petróleo e Gás no Rio de Janeiro

Consultoria internacional escolhe a capital fluminense como a primeira cidade

Rio de Janeiro, 17 de setembro de 2013 – A Deloitte, uma das maiores organizações de consultoria e auditoria do mundo, está inaugurando o seu primeiro Centro de Excelência de Óleo & Gás (CoE) da América Latina. Com sede no mesmo prédio onde se encontra o escritório da organização no Rio de Janeiro, o CoE reúne 120 profissionais de diversas especialidades atuando sob um modelo multidisciplinar para atender aos desafios de empresas da indústria de petróleo e gás, em um momento de acentuado crescimento do setor no Brasil.

Para a inauguração do Centro de Excelência, o escritório da Deloitte no Rio de Janeiro recebe, nesta semana, o líder global da organização para a indústria de Energy & Resources, Adi Karev; e o presidente da Deloitte no Brasil, Juarez Lopes de Araújo.

O lançamento do CoE ocorre em uma conjuntura de novas perspectivas e investimentos no setor de petróleo e gás, com a retomada das rodadas de licitação para blocos de exploração e produção no País.  Em outubro, deve acontecer a 1ª rodada de licitações do Pré-sal, área de Libra, a primeira no modelo de partilha de produção. Já em novembro, a 12ª rodada de licitações ofertará 240 blocos exploratórios em terra, com foco no segmento de gás convencional e não-convencional.

Abordagem multidisciplinar

Para o líder do atendimento às organizações de Óleo e Gás da Deloitte no Brasil, Carlos Vivas, o CoE se insere em uma estratégia da organização de atender às empresas de toda a cadeia da indústria a partir de uma visão completa de seus desafios. “Nosso Centro de Excelência proporciona aos clientes muito mais do que serviços de consultoria para responder a necessidades específicas. Nossa proposta é reunir, em um mesmo espaço físico, e com instalações apropriadas, profissionais com especializações diversas para atender à indústria de óleo e gás com soluções multidisciplinares e customizadas à realidade da empresa”, afirma Vivas. Entre as soluções customizadas da Deloitte para o setor, está a avaliação de reservas de petróleo e de estudos geológicos, por meio da área de Resource Evaluation & Analysis.

Na liderança técnica das atividades do CoE, está o diretor do Centro de Excelência de Petróleo e Gás da Deloitte no Brasil, Ricardo Savini. Com mais de 26 anos de experiência na indústria de petróleo em diversos países, como Brasil, Venezuela, Argentina e Estados Unidos, Savini ocupou diferentes cargos de gestão nas áreas de Exploração e Produção, como gerente de Geologia & Geofísica, Reservatório, Serviços Técnicos, Planejamento & Desenvolvimento de Negócios e Operações. “O Brasil vem dando passos relevantes para que a indústria de óleo e gás mantenha o crescimento firme e sustentado. Este é um momento pouco comum na indústria global, com o desafio de levar a produção de petróleo de 2 a 4 milhões de barris por dia nos próximos anos, certamente o maior crescimento global nas últimas décadas. E a nossa atuação no CoE permitirá contribuir com as empresas da área para que sejam bem sucedidas nessa fase de intensa atividade”, avalia o Diretor do CoE.

A Deloitte está presente no Rio de Janeiro desde 1911. O novo Centro de Excelência de Óleo & Gás na capital fluminense faz parte de uma rede global de centros de excelência. A Deloitte conta com equipes integradas e altamente especializadas no setor em Houston, Calgary, Londres, Oslo, Roterdã, Moscou, Cidade do Cabo, Dubai, Pequim, Hong Kong, Perth e Singapura, além de uma total sinergia com Buenos Aires para o atendimento do mercado latino-americano.

Sobre a Deloitte

A Deloitte oferece serviços nas áreas de Auditoria, Consultoria, Consultoria Tributária, Financial Advisory eOutsourcing para clientes dos mais diversos setores. Com uma rede global de firmas-membro em mais de 150 países, a Deloitte reúne habilidades excepcionais e um profundo conhecimento local para ajudar seus clientes a alcançar o melhor desempenho, qualquer que seja o seu segmento ou região de atuação.

No Brasil, onde atua desde 1911, a Deloitte é uma das líderes de mercado e seus cerca de 5.000 profissionais são reconhecidos pela integridade, competência e habilidade em transformar seus conhecimentos em soluções para seus clientes. Suas operações cobrem todo o território nacional, com escritórios em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Joinville, Porto Alegre, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Recife e Salvador.

“Deloitte” refere-se à sociedade limitada estabelecida no Reino Unido “Deloitte Touche Tohmatsu Limited” e sua rede de firmas-membros, cada qual constituindo uma pessoa jurídica independente. Acesse www.deloitte.com/about para uma descrição detalhada da estrutura jurídica da Deloitte Touche Tohmatsu Limited e de suas firmas-membros.

Última atualização:  17 de setembro de 2013


Game gratuito 'Quest for Oil' é o primeiro sobre a indústria mundial do petróleo

O Grupo Maersk está lançando "Quest for Oil" ("A Busca por Petróleo", em uma tradução livre), primeiro jogo eletrônico com a temática da indústria do petróleo. 

Gratuito, "Quest for Oil" é um RTS (game de estratégia em tempo real) aprofunda no universo desconhecido da exploração de petróleo, e oferece ao jogador, a oportunidade de experimentar uma gama de desafios em uma plataforma de perfuração, com 53 mil toneladas de aço que vão em direção ao fundo do mar.

"A maioria das pessoas sabem que temos petróleo e gás natural, mas muitas pessoas não entendem o que é preciso para encontrar e produzir. A necessidade mundial de petróleo e gás leva a exploração em águas cada vez mais profundas e exigem empreendimentos de precisão e tecnologia de ponta. É uma indústria sofisticada e fascinante e o jogo 'Quest for Oil' oferece a todos uma visão de tudo o que é a exploração de petróleo e gás hoje em dia", diz Jakob Thomasen, CEO da Maersk Oil.

Para dominar o game, os jogadores terão de testar suas habilidades analíticas, procurando por petróleo em um mapa sísmico. Como se parece o subsolo? Quais as camadas de terra que o consiste? E onde está o óleo armazenado? O gamer será testado sobre como exatamente deve posicionar seu equipamento de perfuração de alta tecnologia, sempre de olho na temperatura e pressão, antes de poder começar a extrair e produzir o petróleo encontrado. Além disso, o jogador tem que fazer, constantemente, as análises corretas, tomar decisões e utilizar o conhecimento adquirido para ter sucesso em  'Quest for Oil'.

 

Usando a vasta experiência da Maersk Drilling e da Maersk Oil na indústria de óleo de alta tecnologia, o grupo Maersk abre as portas do mundo virtual para a busca de petróleo em águas profundas no Qatar e no Mar do Norte, testando, ao máximo, habilidades estratégicas e práticas.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Começam em outubro as inscrições para 8ª edição da Semana de Petróleo da SPE/UFRJ

Começam em outubro as inscrições para 8ª edição da Semana de Petróleo da SPE/UFRJ

 

Chegando a sua 8ª edição, a SPEtro, Semana de Petróleo da SPE/UFRJ,consolida-se como um dos eventos acadêmicos de maior repercussão na Escola Politécnica e em todo o setor petrolífero do Rio de Janeiro. O evento ocorrerá no Centro de Tecnologia da UFRJ entre os dias 4 e 8 de novembro de 2013 e as inscrições online iniciam-se em 5 de outubro.

 

Essa edição vem com o tema Brasil: Explorando Potenciais, Produzindo Conhecimento. Nesse cenário, a Ilha do Petróleo recebe estudantes e profissionais com a finalidade de disseminar e compartilhar ideias. Durante uma semana, serão apresentados os mais diversos temas relevantes da Indústria do Petróleo.

 

A 8ª SPEtro, organizada pelo Capítulo de Estudantes SPE/UFRJ juntamente com o Curso de Engenharia de Petróleo da UFRJ, caminha para ser a melhor edição já realizada. A expectativa de público é de exceder 1000 pessoas, superando o sucesso do ano anterior. Serão realizadas palestras, mini-cursos, visitas técnicas e haverá estandes das maiores empresas petrolíferas atuantes no Brasil.

 

Além disso, será realizado, pelo quinto ano, o concurso estudantil de trabalhos científicos na área de Petróleo e Gás, V Concurso de Artigos, premiando os primeiros colocados nas categorias graduação e pós-graduação com R$1500,00. As inscrições dos trabalhos vão de 8 de setembro à6 de outubro. Essa é uma grande oportunidade para destacar-se tanto para o mundo acadêmico, quanto para o mercado de trabalho.

 

Nos últimos sete anos, a SPEtro contou com a presença de profissionais renomados na indústria e com a participação das maiores empresas do mundo petrolífero, como Baker Hughes, BG Brasil, BP, CGG Veritas., Chemtech, COPPE/UFRJ, Devon, Escola Politécnica/UFRJ, Halliburton, HRT, IBP, LabOceano,

LAMCE, Nicomex, OGX, Petrobras, PRH-ANP/UFRJ, Radix, Schlumberger, Shell, Statoil, , SonangolStarfish e Synergia Editora.

 

Capítulo de Estudantes SPE/UFRJ

A SPE, Society of Petroleum Engineers, é a maior organização que atende engenheiros, estudantes e diversos profissionais da indústria de petróleo em todo o mundo. Através de seus programas e atividades, oferece uma oportunidade única ao

desenvolvimento da carreira.

O Capítulo de Estudantes da SPE/UFRJ tem por finalidade o compartilhamento de conhecimento e o estímulo a toda atividade relacionada à Indústria de Petróleo. Como reconhecimento pelo trabalho desenvolvido a nível de mérito excepcional, o Capítulo SPE/UFRJ foi condecorado pela SPE com o prêmio Outstanding Student Chapter 2012. Além disso, recebemos por dois anos consecutivos o Gold Standard Award, identificando que o capítulo cumpriu um grau admirável de atividades. Dentre as atividades realizadas estão o Ciclo de Palestras, a participação nas

edições anteriores do PetroBowl regional e, principalmente, as sete edições da Semana de Petróleo e Gás SPE/UFRJ (SPEtro).